Hoje, tem festa no céu! Os anjos se juntaram e organizaram tudo - coloriram algumas nuvens, de outras fizeram algodão-doce, ensaiaram o coral e receberam o Vini, cantando "Parabéns pra você!!!"
Vini, 28 anos!
Meu amor vai daqui até o céu, meu filho!
"Hoje cedo, quando levava a Ana para a escola e depois vinha para a Unimed, eu vi uma cena linda, marcante, impactante, que trouxe minha vida a minha mente. Eu passo, todos os dias, em frente da Pestalozzi, uma instituição para pessoas com deficiência. Hoje, vi uma mãe dando um abraço apertado em seu filho, ao deixá-lo naquele lugar.
Que cena emocionante! Eu sempre vejo as mães parando seus carros e descendo as cadeiras de rodas, depois pegando seus filhos e tudo isso chama minha atenção. Mas a cena de hoje foi diferente. O abraço apertado, por alguns instantes, no filho especial falou tanto ao meu coração.
Eu me vejo nessas mães. Eu me vi nessa mãe, em especial. O abraço de hoje foi proteção, foi aconchego. Não importa o cansaço da mãe. Não importam o desânimo, o medo, a frustração, aquela mãe estava ali para aquele filho. Com o abraço, ela dizia ao filho - estou com você, sou por você, em mim você tem tudo o que precisa.
E vim trabalhar, quase chorando, pensando neles, pensando na mãe sensível e forte, pensando no filho frágil e protegido. Pensando em mim, no Vini, na minha sensibilidade e força, na fragilidade do Vini e na proteção que teve comigo.
Minha filha e minha irmã estavam comigo. Acredito que elas não tenham visto o que eu vi. Eu vejo. Eu sempre vejo cenas impactantes quando passo ali. Eu gosto de ver. Eu me identifico. Eu lembro. Eu relembro. Eu revivo. E não quero esquecer."
Quando meu Vini adoeceu, eu tinha 28 anos. Quando o Senhor o levou, eu tinha quase 48 anos. Quem nos acompanhou sabe que eu abri mão da minha vida para viver a vida do meu Reizinho. Agora, eu estou me reconstruindo. E leva tempo para isso.
Eu comecei a trabalhar na Unimed dia 16 de fevereiro. Confesso que estava bastante apreensiva, pois fazia 15 anos que eu não trabalhava fora, que eu não me relacionava socialmente, entre um tanto de outras coisas.
Eu dei graças a Deus, que me deram duas camisas de uniforme e uma camiseta polo. Eu não tinha roupas para trabalhar, nem sapatos. Quando completei 3 meses de Unimed, fui a uma loja e me presenteei com uma bolsa ( eu tinha vergonha da minha, uma transversal, pequena e surrada).
No meu aniversário, as meninas que trabalham comigo me deram um scarpin (eu não tinha) e pedi outro para minha mãe e minhas irmãs. Comprei um par de brincos numa loja. Comprei duas calças na Riachuelo, para usar com as camisas.
Eu sinto, realmente, que estou me reconstruindo. Ao trabalhar fora, eu vi que não tinha as coisas! Eu trabalho, diretamente, com os diretores. Duas diretoras e um diretor. Elas se vestem muito bem. A outra secretária executiva também se veste bem. Eu não tinha o que fazer, precisava ajudar o Edinho com as contas de casa, sem falar que temos dívidas grandes adquiridas desde que as vendas caíram e tivemos que pegar dinheiro emprestado. Enfim, estou me reconstruindo e isso é bom!
Agora, enquanto escrevo aqui, percebo que essa reconstrução é uma grande vitória e que, eu preciso me alegrar com isso . Eu preciso me alegrar com cada conquista, com cada salário, com cada sapato, com cada brinco, com cada compra de mercado (tenho ticket alimentação) e, ainda que demore, cada coisa está fazendo parte desse processo. Quero me alegrar com minhas "menores" conquistas e, logicamente, com as maiores.
Sou grata a Deus por este trabalho. Que eu fique aqui o tempo que o Senhor permitir e , que em breve, saia uma das minhas nomeações, que eu considero uma das conquistas maiores.
Jesus, eu louvo Seu Nome, eu louvo Seu Nome, eu louvo Seu Nome!!
Sábado, eu fui ao velório do esposo da minha amiga e irmã de fé Janne. Lá chegou um casal que já congregou na nossa comunidade. Depois de um tempo o homem me perguntou - você era a mãe do Vini? De pronto, eu respondi - Eu SOU a mãe do Vini! Ele está no céu, mas eu continuo sendo a mãe dele! E sorri.
Eu não demonstrei, mas a pergunta dele me chateou. Eu nunca vou deixar de ser mãe do Vini e nem quero que tirem isso de mim. Eu sou a mãe do Vinícius, ele só não está presencialmente comigo.
Ser mãe do Vini foi o diferencial na minha vida. Ele me fez forte, lutadora, destemida. Chego a pensar que sem ele eu sou comum, sou mais uma mãe entre tantas, ainda bem que tenho a nossa história para provar que um dia eu fui valente, fui diferente, fiz parte do time que enfrenta leões para defender a cria.
Hoje, enfrento outras situações. Minha filha está entrando na adolescência, descobrindo coisas, vivendo desafios e eu preciso ter sabedoria para viver tudo isso com ela. Mas são coisas comuns, naturais, que toda e qualquer mãe vive.
Não abro mão do privilégio de ser a mãe do Reizinho. Carrego a nossa história como uma medalha no pescoço. Faço questão de contá-la por onde eu passo. Entendo, perfeitamente, quando o Espírito Santo me mostrou, como um flash, tudo o que vivemos e quem somos hoje, quem eu sou hoje.
Obrigada, Senhor! Obrigada, meu filho! Saudades de vc!
Hoje o dia começou cheio de emoções! Ana Liz e Edinho me acordaram com café da manhã na cama ❣️
Ana Liz me entregou uma caixa, quando abri, caí no choro. Eram fotos nossas, eu, Vini, ela, Edinho e tinha também um chocolate 70% que eu amo e um prestígio, que ela sabe que quando não como 70% é dele que eu gosto.
Fomos almoçar na minha sogra. Minha mãe e minhas irmãs também foram, foi um dia muito gostoso!
Meu coração está apertado e ao mesmo tempo grato a Deus.
Deus abençoe a todas as mamães desse mundo!
Eu não sou de acessar redes sociais, faço isso raramente. Um dia desses, eu estava na frente da Unimed, esperando o horário para entrar e começar a trabalhar, quando lembrei de um amigo meu, o Diego, um dos que me levou a Cristo. Olhei o Facebook dele, depois o messenger e vi uns áudios dele, que me enviou em julho/25. Para mim, foi lindo ouvir, eu fiquei muito emocionada!
Diego teve um sonho :
Eu, Edinho e Ana Liz estávamos em Gramado, muito felizes, contando para ele as bênçãos que Deus havia nos dado. Disse que eram bênçãos grandiosas, sem medidas, a felicidade não cabia em nós! De repente, apareceu o Vini, num campo lindo, verdinho, muito sorridente, muito feliz e ele estava lindo, louro, alto, sem doenças e com Jesus. Meu amigo falou que sentiu assim - O Vini só está onde está, por que ele recebeu tudo o que fizemos por ele: cada oração, cada louvor, cada imposição de mãos e, principalmente, todo o amor que demos a ele. Vini estava feliz por nos ver felizes.
Eu ganhei meu dia ao ouvir esse sonho. É como se Deus tivesse me lembrando que tudo valeu à pena, que cumprimos a missão que Ele confiou a nós.
Não quero tristeza. Quero seguir com alegria, com a convicção de que foi tudo como o Senhor planejou e permitiu. Ele confiou em nós e nós confiamos Nele. Devolvemos a Ele nosso bem mais precioso e não foi de qualquer jeito, foi depois de cumprir, com excelência, nosso papel - papel de pai, de mãe e de irmã.
Mais uma vez, obrigada, Senhor!
07 de abril, um ano e um mês sem meu menino. A saudade é tão grande, que aperta o peito e faz escorrer lágrimas dos meus olhos.
O meu amor vai daqui até o céu 💙.
"Eu pensei tanto no que escrever hoje! Nada do que eu escreva, vai expressar o que sinto. Nesse dia, ano passado, eu vivi o que mais temia - a morte do meu filho.
Há um ano, estou aprendendo a viver sem ele. Um ano que o coração bate descompassado no peito. Eu nunca mais serei a mesma. Falta a maior parte de mim!"
A vida segue. Estranhamente, ela segue. É tudo muito novo , desafiador e, ao mesmo tempo, é uma continuidade do que eu vivia antes - carrego o meu Vini por onde eu vou, seja no pensamento, seja no coração, seja nas lembranças, ele vive em mim.
Agora, enquanto escrevo, aqui sentada em um banco, num parque de diversão, eu choro, com um nó na garganta. Minha filha brinca com as amigas, eu me alegro por ela e choro de saudade do outro filho. Misturou tudo - eu vi um rapazinho louro se divertindo no brinquedo. Meu pensamento foi lá no meu menino, no que ele não viveu, no que eu queria que tivesse sido.
Estou vivendo uma nova fase, voltei para o mercado de trabalho. Eu sabia que não seria fácil. E, realmente, não é. Tanto tempo só cuidando do meu filho e da casa, agora programas, sistemas, pessoas, chefes, medo de não dar conta, medo de que os outros percebam que eu não domino a tecnologia..Mas eu tinha que enfrentar o novo, mesmo com o passado arraigado em mim.
Meu coração é grato por tudo o que vivi. Sou diferente, tenho valores que não se conquistam em pouco tempo. Caminhei muito, percorri muita estrada, chorei demais e hoje sei que posso ir mais longe, que não cheguei ao fim, que tenho muito a conquistar ainda. E vou conquistar! Superar o insuperável me mostrou que posso qualquer coisa, basta querer e tentar.
Obrigada, meu filho, por me fazer quem eu sou hoje! Obrigada, Deus, por ter me escolhido para ser a mãe do Vini.
Final da semana passada, fomos a um rancho de um casal da igreja, com algumas mulheres que fizeram o "Curadas para curar". Foi muito gostoso! Esse casal tem um filho de 14 anos, o Arthur. Ele é uma graça de menino, muito educado, companheiro dos pais, queria ajudar em tudo e gostou muito do Edinho e Edinho gostou muito dele.
Quando viemos embora, conversando sobre tudo, Edinho disse - dá um aperto no coração, ver um menino daquele grudado no pai, companheiro, fazendo tudo para ajudar. Aí, eu entendi que ele estava falando do nosso Vini, ou melhor, da tragédia que aconteceu com nosso filho, da ausência do nosso filho, do que fomos privados de viver.
Sim! Dá um aperto no peito, um nó na garganta, um sentimento estranho - tentar imaginar aquilo que não vivemos e sofrer com aquilo que podia ter sido e não foi. Nós nunca mais seremos os mesmos! Fomos marcados, somos marcados. Por onde quer que passemos, algo nos lembra a vida sofrida que tivemos e, ao mesmo tempo, dá-nos o alívio de, pelo menos, não ver nosso menino privado de tudo.
Vini, meu Vini, meu filho, meu anjo, obrigada pelo grande privilégio de ser sua mãe! Carregamos uma marca, mas não é só de sofrimento! É, também, a marca da força, da resiliência, da superação! Nós vencemos! Você venceu - lutou bravamente pela sua vida e levou muitas vidas aos pés de Jesus!
Um dia desses, o Espírito Santo falou comigo, Ele me mostrou, em segundos, toda a nossa história e me fez entender que o Vini foi um instrumento de Deus para cumprir o propósito de me tornar quem eu sou hoje - seguidora de Cristo, ungida pelo Senhor, assim como o significado do meu nome.
Obrigada, Deus! Obrigada, meu filho!
A saudade aperta o peito! Queria sentir seu cheirinho bom, meu filho...
Dez meses sem sua presença física. Dez meses aprendendo a viver sem vc.
Meu amor vai daqui até o céu! 💙💙💙
"Com a minha voz clamo ao Senhor, e Ele do seu santo monte me responde."
Salmo 3:4